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Alimentos plant-based: o que está por trás dos produtos feitos à base de plantas

O consumidor brasileiro vem acompanhando a consolidação de uma nova categoria de produtos nas prateleiras dos supermercados nos últimos anos: os alimentos plant-based. Bebidas, sorvetes, hambúrgueres, empanados e outros alimentos até então exclusivamente de origem animal passaram a integrar o dia a dia de muitos consumidores em versões vegetais.

Esse movimento é resultado direto do avanço da ciência e da tecnologia de alimentos, com participação de grupos de pesquisa do mundo inteiro no desenvolvimento e inovação de produtos plant-based.

No Brasil, pensando em saudabilidade, sustentabilidade e no futuro, pesquisadores da Plataforma IV do PBIS desenvolveram um pacote tecnológico que permite a produção de farinha proteica a partir do feijão carioca, direcionada para produtos de origem vegetal.

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Novas fontes de proteínas vegetais com funcionalidade tecnológica e nutricional

Em artigo publicado na revista International Journal of Food Science and Technology, esses pesquisadores foram além e mostraram que é possível combinar a proteína concentrada de feijão carioca com proteínas vegetais amplamente utilizadas, como soja e ervilha.

Essa tecnologia brasileira deve entregar benefícios como diversificação de fontes de proteínas vegetais e, ao mesmo tempo, ganhos tecnológicos relevantes a partir da combinação de diferentes proteínas.

Ao longo deste texto, você vai entender melhor o que são alimentos plant-based, quais os desafios por trás desses produtos e como a pesquisa brasileira tem contribuído para transformar ciência em inovação.

Um mercado que evoluiu, e muito

Embora o termo plant-based seja relativamente recente, a categoria de produtos substitutos de proteína animal não é nova no Brasil. Ainda nos anos 1970, o extrato de soja já era utilizado como alternativa ao leite. Produtos vegetais enlatados que imitavam carne também estavam presentes, ainda que de forma limitada, nos supermercados.

Esses primeiros produtos cumpriram um papel importante, especialmente para públicos vegetarianos e veganos. No entanto, do ponto de vista sensorial, ainda deixavam a desejar em relação aos alimentos de origem animal.

O que mudou nos últimos anos foi justamente o avanço da ciência de alimentos, que passou a integrar novas tecnologias de processamento, formulação e caracterização de ingredientes.

O que são, afinal, os alimentos plant-based?

Os alimentos plant-based são produtos elaborados exclusivamente com ingredientes de origem vegetal, exceto alimentos tradicionais como feijão cozido, tofu e tempeh.

Desde 2019, muitos mimetizam características sensoriais de alimentos de origem animal, como uma alternativa a produtos formulados com carne, peixe, leite, ovos e derivados lácteos..

O foco dos produtos plant-based análogos está na recriação da experiência sensorial associada a alimentos e bebidas de origem animal, utilizando ciência e tecnologia. Isso porque as matrizes vegetais contêm uma composição mais complexa do que as matrizes animais, formadas basicamente por água, proteínas e gorduras.

Alimentos e bebidas plant-based alternativos à proteína animal são compostos por fibras, amidos, carboidratos (simples e complexos) e óleos, que diluem a fração proteica, interferindo nas características do produto.

Por isso, seu desenvolvimento envolve uma sequência de etapas tecnológicas bem definidas e que exigem um profundo conhecimento das propriedades tecnológicas, funcionais e nutricionais das proteínas vegetais.

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Combinando proteínas vegetais de soja, ervilha e feijão em alimentos plant-based

O artigo Techno-functional properties of soy, rice, and carioca bean protein blends publicado pelos pesquisadores da Plataforma IV do PBIS avalia, do ponto de vista científico, o desempenho tecnológico de diferentes combinações de proteínas vegetais.

A pesquisa foi conduzida como parte da aplicação prática do pacote tecnológico desenvolvido pela equipe, com foco em entender como essas proteínas se comportam quando utilizadas juntas em alimentos e bebidas plant-based.

O objetivo central do estudo foi investigar se misturar proteínas de soja, ervilha e feijão carioca poderia resultar em propriedades tecnofuncionais adequadas para esse tipo de alimento.

O resultado foi promissor e as misturas apresentaram desempenho superior em propriedades de emulsão, o que é especialmente relevante para alimentos que combinam fases aquosa e oleosa, como molhos, bebidas vegetais e maioneses.

Ao mesmo tempo, foi observado um comportamento específico em relação à retenção de água e à viscosidade, que se mostrou adequado para aplicações em alimentos líquidos, como bebidas análogas ao leite.

Benefícios da combinação de proteínas vegetais

A pesquisa mostra que combinações estratégicas podem ser ajustadas de acordo com o tipo de alimento que se deseja desenvolver.

Misturar proteínas permite explorar características complementares. Enquanto a soja oferece bom desempenho tecnológico já consolidado, a ervilha traz menor potencial alergênico e boa aceitação sensorial, e o feijão carioca adiciona um perfil interessante de aminoácidos e propriedades funcionais relevantes. Juntas, essas proteínas ampliam as possibilidades de formulação e tornam os produtos mais estáveis e versáteis.

O protagonismo do feijão carioca na pesquisa brasileira

O feijão carioca ocupa um papel central nessa estratégia por ser um ingrediente amplamente produzido e consumido no Brasil. Além de seu valor nutricional conhecido, apresenta características tecnológicas que o tornam promissor como fonte proteica para a indústria de alimentos.

O pacote tecnológico desenvolvido pelos pesquisadores da Plataforma IV permite obter farinhas proteicas de feijão carioca por fracionamento a seco, utilizando inclusive grãos fora do padrão comercial. Esse processo reduz o consumo de água e energia em comparação a métodos tradicionais, além de ampliar o aproveitamento de matérias-primas nacionais.

A funcionalização dessas farinhas por meio de micro-ondas ou moinho de esferas possibilita ajustar propriedades como retenção de água e capacidade emulsificante, tornando o ingrediente adequado para alimentos plant-based. Trata-se de uma tecnologia que integra sustentabilidade, viabilidade industrial e inovação.

O que vem pela frente na pesquisa com alimentos plant-based

Os pesquisadores da Plataforma IV agora avançam para uma nova etapa do desenvolvimento tecnológico. Além das propriedades funcionais, os estudos passam a focar na estabilidade dos produtos e na aceitação sensorial, buscando garantir que alimentos e bebidas desenvolvidos apresentem não só bom desempenho tecnológico como sejam bem recebidos pelo consumidor.

Pesquisas como essa mostram que é possível unir conhecimento científico, sustentabilidade e uso estratégico de ingredientes nacionais para criar soluções alinhadas às transformações do sistema alimentar.

Quer mais informações sobre proteínas vegetais?
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A inovação da proteína vegetal feita no Brasil

Alimento funcional: o que é e como a ciência brasileira está inovando nessa área

Principais referências

Santos, S. C., et al. Techno-functional properties of soy, rice, and carioca bean protein blends. International Journal of Food Science and Technology, 2025.

GFI Brasil. Tudo o que você precisa saber sobre produtos plant-based. Disponível em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://gfi.org.br/wp-content/uploads/2025/05/HANDBOOK_Tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-Produtos-Plant-based-GFI-Brasil.pdf. Acesso: janeiro de 2026.

Galdeano, M. et al. Evolução dos alimentos plant-based no Brasil. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/67002613/artigo-evolucao-dos-alimentos-plant-based-no-brasil. Acesso: janeiro de 2026.

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