Quando pensamos em alimentação, muitas vezes o foco está no produto final. Um iogurte, uma bebida, um biscoito. Mas, antes disso, existe uma etapa menos visível e igualmente importante: o desenvolvimento dos ingredientes.
Foi justamente esse universo que esteve em evidência no Nutri Ingredients Summit (NIS), evento que reuniu pesquisadores, empresas e profissionais das indústrias de alimentos, bebidas, suplementos alimentares e farmacêuticas para discutir o que está sendo desenvolvido hoje e o que pode definir o futuro dos ingredientes.
“ Ao acompanhar o NIS, fica claro que os ingredientes deixaram de ser apenas componentes da formulação. Eles passaram a ser pensados como soluções, capazes de influenciar não apenas a composição nutricional dos alimentos, mas também sua funcionalidade, estabilidade e experiência de consumo.” Claire Sarantópoulos, diretora de Ciência e Tecnologia do Ital/Apta/SAA e gestora de Comunicação do NPOP-PBIS
Ingredientes para o hoje e o amanhã
Já parou para pensar no que está sendo desenvolvido para fazer parte dos alimentos do futuro?
Tem proteínas de diferentes tipos — porque proteína não é tudo igual. Tem ciência voltada para a estabilidade dos ingredientes, compostos com foco em saudabilidade, tendência dos corantes naturais… tudo isso conectado ao comportamento do consumidor.
E muita coisa está sendo desenvolvida aqui no Brasil. Parte disso está nos vídeos que produzimos durante o evento.
O que o NIS revela sobre a alimentação do futuro?
O desenvolvimento de ingredientes está cada vez mais conectado a diferentes dimensões da alimentação.
Na visão do palestrante Michel Alcoforado o que consideramos saudável não é definido apenas pela ciência, mas também por fatores culturais. As escolhas alimentares refletem valores, percepções e o momento histórico da sociedade.
Essa perspectiva amplia o olhar sobre os ingredientes. Eles devem ser desenvolvidos não somente para atender critérios técnicos, como também para dialogar com as expectativas do consumidor.
Já o palestrante Ricardo de Carli apresentou o perfil “consumidor equilibrista”, que busca, ao mesmo tempo, qualidade, resultado e bem-estar, em um cenário de incertezas econômicas e sociais.
Proteínas, funcionalidade e desafios invisíveis
As proteínas seguem como um dos principais temas do NIS, com discussões além do teor proteico. O foco está na funcionalidade: como esses ingredientes se comportam no organismo, sua biodisponibilidade, sua biodigestibilidade e sua capacidade de gerar valor para o consumidor.
Paralelamente, a estabilidade aparece como um dos principais desafios. Garantir que um ingrediente mantenha sua eficácia, segurança e qualidade ao longo do tempo, desde o desenvolvimento até o consumo, é essencial para sua aplicação em alimentos.
Esse cenário reforça que desenvolver um ingrediente vai além de identificar sua função: é garantir que ele funcione de forma consistente no produto final.
Do laboratório à aplicação: o papel do PBIS
O PBIS se posiciona exatamente nessa interface entre pesquisa e aplicação.
As tecnologias desenvolvidas no âmbito do projeto dialogam diretamente com os temas discutidos no NIS: são ingredientes obtidos a partir de resíduos agroindustriais, novas fontes de proteínas, lipídios estruturados e ingredientes prebióticos e proteínas doces sendo estudados no Brasil.
Conexão entre instituições de pesquisa e o setor produtivo
De um lado a pesquisa está sendo desenvolvida em laboratório e planta-piloto, com foco em gerar conhecimento e novas possibilidades, e do outro lado a indústria está discutindo aplicação, escala e viabilidade.
Por isso, a presença do PBIS no NIS cumpre um papel estratégico: dar visibilidade aos desenvolvimentos de pesquisadores brasileiros, mostrando como essas soluções estão próximas e acessíveis à indústria.
Trata-se de mais um movimento para aproximar essas duas frentes e impulsionar a transferência de tecnologia, facilitando o caminho entre o que a pesquisa científica tem validado e o que pode ser incorporado ao mercado.
Mais do que apresentar resultados, é uma oportunidade de acompanhar como essas soluções são avaliadas, adaptadas e, aos poucos, transformadas em aplicações reais.
Então, qual é o futuro dos ingredientes?
Ao longo do NIS, algumas tendências em ingredientes aparecem de forma clara e consistente, como o movimento crescente em direção a ingredientes naturais e ao conceito de clean label, refletindo uma busca por maior transparência e alinhamento com as expectativas do consumidor.
A substituição de corantes sintéticos por naturais é um exemplo direto de como fatores regulatórios e de percepção influenciam a formulação de alimentos. Ao mesmo tempo, temas como saúde metabólica, microbiota intestinal, longevidade e bem-estar reforçam a necessidade de integrar nutrição e ciência dos alimentos para ampliar o papel dos ingredientes.
Outro ponto relevante é a valorização de ingredientes nacionais e soluções mais conectadas à realidade brasileira. Esse movimento considera tanto aspectos de produção quanto de consumo, aproximando a inovação das condições locais e das demandas do mercado.
O que está por trás do alimento
Grande parte da inovação em alimentos acontece antes do produto final existir. Ela começa nos ingredientes, na forma como são desenvolvidos e nas decisões que orientam sua aplicação.
É justamente essa etapa, muitas vezes invisível para o consumidor, que o PBIS busca evidenciar.
Ao mesmo tempo, a presença do projeto em eventos como o NIS reforça o papel da divulgação científica, aproximando o que é desenvolvido nos laboratórios da indústria e da sociedade.
Entender os ingredientes, nesse contexto, é também entender melhor o próprio alimento, não apenas como produto final, mas como resultado da união de ciência, tecnologia e decisões construídas ao longo do desenvolvimento.
Texto desenvolvido por
Descascando a Ciência: Empresa de comunicação que traduz a ciência em conteúdos estratégicos e acessíveis. Atuamos com planejamento, produção e divulgação de pesquisas e tecnologias para aproximar ciência, sociedade e mercado.

“ Ao acompanhar o NIS, fica claro que os ingredientes deixaram de ser apenas componentes da formulação. Eles passaram a ser pensados como soluções, capazes de influenciar não apenas a composição nutricional dos alimentos, mas também sua funcionalidade, estabilidade e experiência de consumo.” Claire Sarantópoulos, diretora de Ciência e Tecnologia do Ital/Apta/SAA e gestora de Comunicação do NPOP-PBIS



